domingo, 14 de julho de 2013

No carro, tecnologia fica mais simples

Para dar conectividade ao automóvel, indústria busca equilíbrio entre facilidade e segurança


BILL VLASIC / DETROIT , THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo
Os engenheiros que trabalham no novo veículo utilitário-esportivo de luxo Acura MDX, da Honda, estavam obcecados pela ideia de oferecer um espaço muito maior no banco traseiro, maior economia de combustível para um motor de alta tecnologia e, acima de tudo, mais aplicativos, mapas e conectividade. Mas há um elemento que os engenheiros decidiram eliminar: os botões.
No esforço de simplificar o novo veículo, lançado em junho, a equipe de produtos estava determinada a deixar o painel mais simples. Trata-se de uma mudança que indica o desafio com que as indústrias do setor se defrontam na era do carro conectado: as fabricantes de automóveis precisam dar aos clientes a tecnologia que eles desejam sem colocar em risco a segurança, enchendo os motoristas de controles complicados.
"Estamos procurando dar aos nossos clientes o que eles querem de uma forma que seja segura e tenha sentido", disse Steven Feit, um engenheiro da Honda que trabalha no projeto. "É este tipo de equilíbrio que queremos alcançar."
A evolução do automóvel está repleta de marcos históricos, desde o advento de características hoje comuns, como ar condicionado e cintos de segurança, aos novos motores híbridos, movidos a gasolina e a eletricidade. O carro se tornou um computador móvel recheado de novas opções de entretenimento, acesso à internet e a uma variedade de aplicativos que ajudam motoristas a evitar engarrafamentos e encontrar vagas para estacionar.
As autoridades fazem o possível para acompanhar a rápida evolução. A Agência Nacional de Segurança do Trânsito em Rodovias dos EUA, que supervisiona a segurança dos veículos, emitiu recentemente diretrizes voluntárias para as fabricantes com a finalidade de limitar as distrações visuais e mentais que a tecnologia pode criar.
A indústria está muito consciente deste problema. "Nós compreendemos sua importância", afirmou Gloria Bergquist, vice-presidente de assuntos públicos da Associação das Fabricantes de Automóveis. "Não podemos impedir que os consumidores queiram determinadas coisas para os seus carros, portanto, precisamos tornar a tecnologia menos perigosa."
Anteriormente, sofisticados recursos eram utilizados exclusivamente pelas fabricantes de veículos de luxo, como BMW e Mercedes-Benz. Mas agora a conectividade básica - como conectar um celular ao sistema de som do carro - é encontrada em alguns modelos comuns.
Por outro lado, as fabricantes aprenderam algumas lições ao insistir em uma tecnologia nova e não suficientemente testada. A Ford Motor, por exemplo, teve de revisar seu popular sistema Sync de navegação e entretenimento para reduzir distrações e facilitar o uso.
Cada nova versão de um carro é uma oportunidade para corrigir erros anteriores. O novo MDX, segundo a Honda, é um esforço para criar "sinergia entre o homem e a máquina".
A eliminação dos botões físicos no painel do carro foi crucial para melhorar a segurança. O seu excesso criava um número também excessivo de decisões para o motorista. O novo modelo os limita a funções importantes, como o controle de temperatura.
O objetivo é permitir que o motorista utilize apenas os controles de sua preferência. Uma segunda tela destina-se à navegação e o sistema pode ser controlado por comandos de voz.
"Os clientes querem fazer outras coisas enquanto dirigem", diz Feit. "Eles estão acostumados aos eletrônicos, como telefones e tablets, para atender às suas necessidades." / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA
As informações são do ESTADÃO

PJI2013 - Conheça as redes que podem transformar a indignação em solução

Iniciativas empreendedoras que aproximam o cidadão do poder público, como o Colab e o ReclameAQUI Cidades, podem transformar a ira contra os governos em cidadania atuante e eficiente

Talita Fernandes
Protesto com megafones
Redes tentam trazer mais eficiência ao ato de reclamar da gestão pública na internet (Getty Images/iStockphoto)
Um grupo de cinco jovens do Recife viu num hábito corriqueiro – o de usar as redes sociais para reclamar dos problemas das cidades ou da má administração pública – a oportunidade de incentivar a cidadania e, ao mesmo tempo, os próprios negócios. Eles desenvolveram o Colab, uma rede social que permite que os cidadãos façam propostas, críticas e fiscalizem as ações do poder público. Já o site Reclame Aqui desenvolveu o núcleo 'Cidades', com o mesmo propósito de servir de ponte entre as demandas da sociedade e o trabalho do setor público. Na esteira dos protestos que movimentaram o Brasil no mês de junho, esse tipo de iniciativa pode fazer com que os jovens canalizem sua indignação de forma mais eficiente.
A ideia de criar o Colab surgiu em maio de 2012, quando os sócios de duas empresas do Porto Digital, polo de tecnologia do Recife (PE), perceberam a oportunidade durante o período de eleições municipais. “Falamos com o poder público e percebemos que as redes sociais não eram monitoradas”, explica Gustavo Maia, fundador da Quick, empresa de marketing digital e tecnologia que desenvolveu a rede social junto com a agência 30 Ideias. À época, Maia trabalhava com marketing digital para campanhas eleitorais. 
O Colab oferece uma ferramenta gratuita para que cidadãos postem imagens e textos de problemas encontrados em suas cidades, como buracos nas ruas, postes sem luz e ônibus em más condições. O mesmo site permite que prefeituras e governos consigam receber as informações postadas pelos. “Víamos que as pessoas usavam as redes sociais para falar de coisas da cidade, como o trânsito, por exemplo. Só que toda essa informação que é jogada nas redes é perdida”, conta Maia.
A ferramenta começou a ser desenvolvida em novembro do ano passado e foi colocada no ar no final de março, no Recife. Cerca de 20 dias depois ela foi ampliada para a cidade de São Paulo e, em junho, data que coincide com as manifestações que se espalharam pelo Brasil, foi aberta para as demais cidades do país. Atualmente, o aplicativo para smartphone do Colab foi baixado por 16 mil usuários - e mais de 20 mil se cadastraram no site.
No início de junho, a ferramenta conquistou a segunda edição do prêmio AppMyCity!, daNew Cities Foundation, que avalia aplicativos criados para trazer melhorias às cidades. "Para que as cidades do Brasil e do mundo se tornem melhores, é preciso duas coisas: encorajar o surgimento de ideias inovadoras e criar um diálogo entre os setores público e privado, a sociedade e as universidades em prol dessa melhora", afirma Naureen Kabir, diretora da New Cities Foundation.
A prefeitura de Boston, nos Estados Unidos, é um exemplo prático de como a interação entre governos e setor privado podem funcionar para dar luz a projetos que melhorem a vida das pessoas. A cidade americana criou o programa Boston About Results, que reúne informações sobre os serviços municipais e as atividades que vêm sendo desenvolvidas pelas agências de gestão da cidade. Em Boston, os cidadãos podem usar ferramentas como o Citizen Insight, que funciona como canal entre a população e o poder público. A iniciativa de criar o programa surgiu de uma aliança entre empresas e governo.
Para o especialista em gestão governamental e diretor da Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (ANESP) Ricardo Vidal, um cenário semelhante ainda está longe de acontecer no Brasil. "O poder público brasileiro tem muito a aprender com a iniciativa privada em termos de gestão e atendimento. Os governos precisam entender que a disponibilização de canais efetivos de comunicação também é sinônimo de transparência. Não basta só mostrar os gastos públicos”, diz Vidal.
Conhecido por dar voz aos consumidores em suas reclamações contra empresas, o site ReclameAQUI também encontrou na indignação dos usuários uma oportunidade. Lançou, em janeiro deste ano, o ReclameAQUI Cidades. O site segue os mesmos moldes do que foi criado para os consumidores - mas a adesão dos usuários ainda é tímida, se comparada à do site inicial. Até o momento, foram registradas 5.993 reclamações e 11.724 usuários cadastrados. No sistema, 503 prefeituras se inscreveram para o recebimento das informações. “Fizemos isso porque acreditamos que dentro de dois ou três anos, as prefeituras também terão de responder ao cidadão, assim como as empresas respondem ao consumidor”, explica Maurício Vargas, idealizador do projeto. 
Especialistas acreditam que iniciativas como essa podem, no futuro, substituir a figura do ouvidor. "Na maioria dos casos, ele não é realmente independente do governo municipal e acaba por não realizar um trabalho bastante aprofundado de investigação. Um ouvidor nomeado pelo poder público raramente será independente", explica o professor de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), Rafael Alcadipani. O uso da tecnologia e o estímulo à inovação terão somente a agregar no que se refere à melhora de serviços para o cidadão. "Podemos pensar em dois exemplos: o Poupatempo e o sistema para tirar passaporte. Em ambos os casos, o que temos é o uso de tecnologias ligadas à internet como forma de fazer agendamentos e evitar filas", explica o professor.
Tanto o Colab quanto o Reclame AQUI têm sua atuação baseada na comunicação. Em resumo, canalizam mensagens ao destinatário certo e disponibilizam filtros para que essas mensagens sejam vistas por milhares de usuários. Tal dinâmica pode ser vista no funcionamento do site Catraca Livre, que aglutina todas as informações sobre programas culturais, educacionais e sociais gratuitos em um portal acessível a todos. Apesar de não interagir com o poder público, a rede - que também se baseia na colaboração de usuários - funciona como meio agregador e de estímulo à cidadania. Por isso, tornou-se, em 2013, um estudo de caso da Escola de Negócios da Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos.
As informações são da Veja