segunda-feira, 29 de julho de 2013

Grupos Publicis e Omnicom anunciam fusão

União das duas empresas de publicidade cria grupo com valor de mercado de US$ 35 bilhões 

Tanzina Vega e Liz Alderman, do The New York Times
NOVA YORK - Duas das maiores empresas de publicidade, Omnicom Group e Publicis Groupe, anunciaram neste domingo uma fusão que criará a maior família de agências do mundo, com valor de mercado de US$ 35,1 bilhões e 130 mil funcionários.
Inicialmente, o novo grupo terá dois diretores executivos: John Wren, da Omnicom, e Maurice Lévy, da Publicis. Mas depois de 30 meses, Wren, que tem 60 anos, se tornará o único diretor executivo, e Lévy, 71, poderá exercer a função de presidente do conselho.A associação da Publicis, sediada em Paris, com a Omnicom, de Nova York, suplantará a atual líder do setor, a WPP, de Londres. Embora a Omnicom seja um pouco maior do que a Publicis, o acordo é considerado uma fusão de empresas de igual porte, cujo faturamento total foi de US$ 22,7 bilhões no ano passado. A nova companhia se chamará Publicis Omnicom Group.
Se aprovada pelas autoridades antitruste dos Estados Unidos e da Europa, e se receber sinal verde do governo francês, a fusão unirá redes de agências de publicidade atualmente separadas – como BBDO, TBWA e DDB sob a Omnicom, e Leo Burnett e Saatchi & Saatchi sob a Publicis.
Ao todo, os conglomerados representam algumas das maiores marcas mundiais, como AT&T, Visa e Pepsi na Omnicom, e McDonald’s, Coca-Cola e Walmart na Publicis.
Lévy e Wren abriram a coletiva à imprensa com a assinatura do acordo na cobertura da sede da Publicis, na Avenida Champs-Elysées, em Paris.
Os acionistas de cada uma das companhias serão detentores de 50% do capital acionário da nova empresa, que será listada na Bolsa de Nova York, na Euronext Paris e incluída no índice das 500 da Standard & Poor’s, e na CAC 40 em Paris. Haverá um único conselho diretor com Wren e Lévy e sete representantes de ambas as companhias.
Em comunicado, Lévy disse que a fusão foi motivada pelos avanços tecnológicos em publicidade e pelos chamados Big Data – a capacidade de acumular volumes muito maiores de informações sobre os consumidores, que permitirão lucrar de várias maneiras.
"O panorama atual do marketing passou por drásticas mudanças nos últimos anos, com o surgimento exponencial de novas gigantes da mídia, a explosão dos Big Data, a indefinição dos papéis de todos os participantes e com profundas modificações no comportamento do consumidor", disse Lévy.
"Essa evolução deu origem a grandes desafios e a imensas oportunidades para os clientes. John e eu concebemos esta fusão a fim de beneficiar os clientes proporcionando-lhes uma oferta mais abrangente de serviços analógicos e digitais."
Na coletiva, Lévy detalhou a questão. "Os bilhões de pessoas que agora estão online e fornecem dados às companhias oferecem uma oportunidade para a utilização de novas tecnologias na área de publicidade na coleta e análise de dados com uma mensagem relevante para um público muito menor."
Wren salientou também a importância da tecnologia digital para o futuro da publicidade. "Daqui a três anos, a partir de agora, tudo será digital", afirmou. "Até os outdoors hoje são digitais ou se tornarão digitais."
A Omnicom, que, segundo os analistas, até agora se preocupou mais com uma expansão de suas operações digitais de maneira orgânica, e não mediante aquisições, se beneficiará com o poder aquisitivo da Starcom MediaVest Group, uma divisão da Publicis e uma das maiores agências de mídia do mundo. Em abril, a Starcom assinou um acordo plurianual com o Twitter que combina recursos usados por ambas para medir e monitorar dados e publicidade. Este acordo foi avaliado em centenas de milhões de dólares.
Em 2012, o faturamento da Publicis aumentou 14% para US$ 8,8 bilhões, enquanto o faturamento da Omnicom cresceu 2,5%, para US$ 14,2 bilhões. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA  
As informações são do ESTADÃO

Começa hoje o segundo júri do massacre do Carandiru

Julgamento de 27 policiais militares tem início na manhã desta segunda; eles são acusados da morte de 73 presos, dos 111 mortos durante rebelião em 1992

Jean-Philip Struck
Vista aérea de um dos pavilhões do complexo penitenciário do Carandiru com lençóis brancos nas janelas pedindo paz após a invasão da PM. Cerca de 27 mil presos se rebelaram simultaneamente em 24 presídios de 19 cidades paulistas. O motim, o maior do país, começou no complexo penitenciário do Carandiru
Vista aérea de um dos pavilhões do complexo penitenciário do Carandiru com lençóis brancos nas janelas pedindo paz após a invasão da PM. Cerca de 27 mil presos se rebelaram simultaneamente em 24 presídios de 19 cidades paulistas. O motim, o maior do país, começou no complexo penitenciário do Carandiru - Evelson de Freitas/Folhapress
Começa nesta manhã o segundo júri do massacre do Carandiru. Desta vez, 27 PMs que faziam parte das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) à época da chacina, em outubro de 1992, serão julgados pela morte de 73 presos no segundo andar do pavilhão nove. O júri vai ocorrer no plenário dez do Tribunal do Júri da Barra Funda, em São Paulo, a partir das 9 horas.
Em abril, outros 26 PMs, também membros da Rota, já haviam ido a julgamento pela morte de quinze presos no primeiro andar do mesmo pavilhão. Vinte e três deles acabaram sendo condenados a 156 anos de prisão cada um. A Justiça fixou pena de doze anos de prisão por treze das quinze mortes – a pedido do Ministério Público, duas mortes foram retiradas pelo processo. Os condenados recorrem da decisão em liberdade.
Ao todo, 111 presos morreram no massacre. Também estão programados outros júris para o restante das mortes, que ocorreram no terceiro e quarto andares, cuja retomada foi feita pelo Comando de Operações Especiais (COE) e pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). 
Também está previsto um julgamentos apenas para o ex-tenente-coronel Luiz Nakaharada, que comandava o 3° Batalhão de Choque, e que responde sozinho por cinco mortes.
Acusação – Inicialmente, o júri desta segunda-feira deveria ter 28 réus, mas um morreu na época que a denúncia foi oferecida. Dos PMs que serão julgados a partir desta segunda, nove ainda estão na ativa.
O corpo de sete jurados deve ouvir oito testemunhas de acusação e quatro de defesa. Outras cinco testemunhas que falaram no julgamento de abril vão ter suas oitivas, que haviam sido registradas em vídeo, reaproveitadas e não precisarão comparecer ao julgamento.
O juiz responsável pelo caso será Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, que vai substituir o juiz José Augusto Nardy Marzagão, que atuou no primeiro julgamento, e pediu para ser transferido para a comarca de Atibaia, na região de Bragança Paulista. A previsão é de que o julgamento dure até sábado. 
Um total de 130 PMs chegou a ser denunciado pelo massacre do Carandiru, mas o número foi diminuindo conforme foram prescrevendo muitas das acusações e vários PMs morreram. Hoje, apenas 79 PMs respondem ou responderam pelos crimes.
O massacre – Em 2 de outubro de 1992, cerca de 340 policiais invadiram o pavilhão nove do Carandiru para conter uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo, parte do complexo presidiário. O comandante da operação era o coronel Ubiratan Guimarães. Tudo caminhava para que os mais de 2 000 detentos fossem dominados e tranquilizados, até que os batalhões de choque chegaram ao segundo andar do pavilhão, o foco da revolta. Então, passou-se meia hora de execuções à queima-roupa. Armados com revólveres, escopetas e metralhadoras, os policiais executaram sumariamente 111 presos. Do lado da polícia, nenhuma baixa.
A reação imediata do governo foi atrasar a contagem dos corpos e tentar ludibriar a imprensa por algumas horas para não atrapalhar o resultado das eleições que se realizariam no dia seguinte.
Em setembro de 2002, a Casa de Detenção, a maior da América Latina, foi finalmente desativada. No local, foi construído um parque público com áreas de lazer e cultura. Cerca de 170 000 pessoas passaram pelo presídio em 46 anos. O governador e o secretário de Segurança do Estado na época não foram responsabilizados pelo episódio.
Em 2001, o coronel Ubiratan foi condenado a 632 anos de prisão por comandar a ação no Carandiru, mas, em fevereiro de 2006, o Tribunal de Justiça de São Paulo reinterpretou a decisão do 2º Tribunal do Júri e decidiu absolver o coronel. Ubiratan foi morto em setembro de 2006 com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo.
Segundo a Defensoria Pública do estado, dos 64 processos de indenização movidos por familiares das vítimas do Carandiru contra o estado, apenas 26 tiveram ordem de pagamento autorizada. A maioria foi paga só em 2011 – e boa parte das indenizações autorizadas segue na fila dos precatórios.
As informações são da VEJA