segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Força Nacional vai à BA conter conflito por terras

Grupo de autodenominados tupinambás invadiu mais de sessenta fazendas na região de Ilhéus

Tropas da Força Nacional de Segurança foram deslocadas para a região de Ilhéus, no sul da Bahia, para reforçar a segurança no local. A área tem sido palco de frequentes conflitos entre produtores rurais e um grupo de invasores que afirma descender de índios tupinambás – uma tribo considerada extinta no século XVII. 
Segundo os agricultores, há 63 fazendas invadidas na região – quarenta foram alvos de invasões no início do mês. Os indígenas não confirmam o número, mas admitem as invasões, como forma de pressionar o governo para demarcar áreas para os membros do grupo, que se auto denominam tupinambás de Olivença. 
Eles reivindicam 47.300 hectares entre os municípios de Ilhéus, Una e Buerarema. Segundo a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Reforma Agrária, Pesca e Aquicultura (Seagri), há cerca de 700 propriedades rurais e 18.000 habitantes nessa área. O contingente da Força de Segurança Nacional enviado ao local não foi divulgado.
Os conflitos entre as partes foram intensificados no começo do mês, quando as autoridades estaduais, em conjunto com a Polícia Federal, promoveram a reintegração de posse de quinze fazendas que estavam ocupadas por indígenas.
Os tupinambás, então, promoveram uma manifestação no centro de Ilhéus, reivindicando uma solução para a situação, e promoveram uma nova onda de invasões. O grupo é liderado por Valdenilson Oliveira, conhecido como “Val Tupinambá”, que em abril já havia liderado a invasão de um hotel de luxo na região, ocasião em que os índios saquearam bebidas e televisores do estabelecimento.
Ele afirma que as invasões vão continuar ocorrendo, até que o governo formalize a demarcação da área, incluindo as 700 propriedades rurais, como terra indígena. "Eles (fazendeiros) precisam sair e o governo tem de demarcar a área", disse.
No início da semana passada, duas fazendas da região foram invadidas por homens que se diziam indígenas. As sedes foram destruídas por fogo. Quatro moradores das propriedades sofreram agressões e precisaram receber atendimento médico.
Manifestações – Dois dias depois, produtores e trabalhadores das propriedades fizeram uma manifestação na BR-101, bloqueando a pista por dez horas e  causando mais de dez quilômetros de congestionamento. No protesto, quatro carros oficiais que tentaram furar o bloqueio foram incendiados. Depois, ainda houve depredação em uma agência do Banco do Brasil e saques em uma loja da Cesta do Povo em Buerarema.
Na sexta-feira, o governador Jaques Wagner (PT) pediu auxílio do Ministério da Justiça, por meio de envio de uma equipe da Força Nacional, para controlar os conflitos. Mesmo depois do anúncio do envio da tropa federal, mais uma invasão foi registrada na região, na tarde de domingo.
"Eles chegaram com lanças, facas e flechas, mandando todo mundo sair", conta o produtor de alface Antônio Aparecido Lopes, proprietário do terreno. Ele prestou queixa na sede da Polícia Federal em Ilhéus na manhã desta segunda.
(Com Estadão Conteúdo) e VEJA

Rio usará software antiterror para identificar Black Bloc

Sistema produzirá prova científica de participação em atos de vandalismo ou agressões durante as manifestações. Rosto é identificado a partir da comparação de medidas, mesmo com uso de tocas, óculos ou partes cobertas

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro
O grupo Black Bloc no Rio de Janeiro
O grupo Black Bloc no Rio de Janeiro (Leo Corrêa)
O Ministério Público do Estado do Rio e a polícia estão prestes a identificar, a partir de um programa de computador, os suspeitos de vandalismo e agressões infiltrados entre os manifestantes no estado. Utilizado em aeroportos e em zonas com alto risco de atentados terroristas, um software que compara características biométricas está sendo adquirido pelo MP para uso, principalmente, em ocorrências como a depredação da Assembleia Legislativa do Estado e os ataques a estabelecimentos comerciais. A chegada do sistema significará, na prática, desmascarar os manifestantes que usam o anonimato para promover baderna. O procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira, autorizou a compra do pacote de programas, mas os valores não foram revelados. A compra será feita sem licitação, pois, segundo o MP, só há um fornecedor para esse tipo de produto.
Integrante da Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo (CEIV), o promotor Paulo Wunder afirmou ao site de VEJA que o software será usado para comparar as imagens captadas em diferentes protestos com as denúncias que chegam à polícia e a outros órgãos públicos. “O software é extremamente sofisticado e permite o reconhecimento mesmo quando parte do rosto está encoberta por um toca, um boné, óculos ou outro tipo de disfarce” afirmou. “Cada pessoa tem uma biometria facial diferente das demais. Assim como a impressão digital e o DNA, a biometria é diferente para cada indivíduo. O reconhecimento biométrico é uma prova científica”, disse. Ou seja, é possível produzir prova contra alguém que seja flagrado cometendo um crime.
Os atos de vandalismo deixarão, assim, de ser um delito impossível de punir. Uma das dificuldades da investigação desse tipo de crime é que, a menos que o suspeito seja detido em flagrante, não se tem qualquer pista sobre os autores. A partir do uso do novo sistema, um suspeito de destruição de um ponto de ônibus que, uma semana depois, seja filmado lançando bombas ou destruindo outro local, terá esses delitos adicionados a sua ficha criminal.
O software analisa medidas do rosto, como as distâncias entre os olhos, nariz e boca, nariz e orelhas, queixo e olhos, entre outras. Os dados são aplicados em um cálculo matemático e catalogados pelo programa de computador. O recurso é tão eficaz que reconhece diferenças entre pessoas parecidas, como os gêmeos idênticos. Ou seja, cada indivíduo tem a sua identidade facial, identificada por um código.
Banco de dados – Inicialmente, o software permitirá apenas saber se um mesmo indivíduo cometeu um ou mais delitos. Mas caso o sistema seja alimentado com o banco de dados do sistema de identificação civil, passa-se a ter não só as medidas e a especificação das medidas do rosto, mas também os dados pessoais do suspeito. Na última sexta-feira, integrantes da CEIV reuniram-se no Ministério Público para discutir a possibilidade de se usar um banco de dados com fotografias que permita o cruzamento das imagens captadas durante os protestos. Uma das possibilidades em estudo é o uso do sistema do Detran – que concentra os dados do cadastro civil no estado do Rio.
“Nos Estados Unidos, o software é usado na identificação de suspeitos de terrorismo em aeroportos, por exemplo.  À medida que uma pessoa se desloca nos corredores do aeroporto, as câmeras processam a imagem e apontam se ela está cadastrada no banco de dados como procurada pela polícia ou não”, explicou Wunder.
Nesta segunda-feira, os promotores envolvidos no projeto se reuniram mais uma vez para decidir detalhes e o pacote de aquisição do software. O MP ainda não tem previsão de quando o sistema começará a ser usado.
O conteúdo é da VEJA