quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Mulheres dizem não a tinturas e impulsionam indústria de cosméticos mais "limpos"

MARIANA VERSOLATO
EDITORA-ASSISTENTE DE "CIÊNCIA+SAÚDE"

Há cerca de nove anos, a escriturária Renata Perrotta, 57, do Rio, decidiu se libertar dos retoques semanais de tintura para cobrir os fios brancos.
"Resolvi dizer 'chega'. Hoje me identifico tanto com os cabelos brancos que, se pintasse de novo, deixaria de ser eu", conta.
Luciana Whitaker/Folhapress
Renata Perrotta, 57, que há cerca de nove anos cansou de tingir os fios brancos
Renata Perrotta, 57, que há cerca de nove anos cansou de tingir os fios brancos
Renata faz parte de um grupo de mulheres que abandonaram os produtos químicos no cabelo e adotaram um visual mais natural. "Eu assumi na boa, mas acho que a maioria tem vergonha."
Editoria de Arte/Folhapress
Não deve ser o caso da presidente Dilma Rousseff, que, como afirmou à Folha, pretende se juntar ao clube e deixar a tintura de lado depois de deixar o cargo público.
O cansaço por ter que retocar as raízes brancas é um dos motivos alegados pelas mulheres, como Renata, para abandonar a química. O suposto malefício das substâncias químicas da tintura também pode ser um temor.
Hoje, porém, as tintas para cabelo são menos tóxicas do que antigamente, segundo Valcinir Bedin, dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira do Cabelo.
Segundo ele, há uma tentativa das empresas de fazer produtos mais seguros, sem os metais pesados que costumavam constar das fórmulas. Os lançamentos incluem ainda tintas sem amônia, que pode causar irritação.
NAS UNHAS
Marcas de esmalte também têm se esforçado para fazer produtos menos tóxicos.
Tornou-se comum encontrar embalagens que exibam o aviso "3 free", ou seja, livre de formaldeído, tolueno e dibutilftalato. Os três compostos são solventes e substâncias usadas em pigmentos e que conservam e dão brilho ao esmalte, mas têm maior risco de causar alergias.
A designer gráfica Ana Vizeu, 34, precisou abandonar os esmaltes desde que teve uma reação grave no rosto por causa de uma substância do pigmento de esmaltes.
"Mas até base faz mal. É uma limitaçãozinha. Quando vou a uma festa, não tem jeito, acabo passando."
Francisco Le Voci, dermatologista e coordenador do departamento de cabelos e unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia, lembra que nenhum produto químico é inócuo.
"Às vezes não depende tanto da qualidade do produto, mas da sensibilidade individual. Por isso é sempre importante testar o produto em uma pequena área antes do uso maior, e isso vale principalmente para quem tem alergias", diz.








O conteúdo é da Folha de S. Paulo

Novo reajuste de combustíveis neste ano é dado como certo no governo

NATUZA NERY
DE BRASÍLIA


Após apelos da Petrobras por aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel, e diante das perdas geradas à companhia pela escalada do dólar, integrantes do governo federal já dão como certo um reajuste ainda neste ano.

Não há definição nem de percentual nem de quando exatamente o aumento será concedido.

A presidente da empresa, Graça Foster, esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também discutiu o assunto com a chefe.

No Executivo, a avaliação é que a desvalorização cambial não deixa muitas alternativas, e auxiliares presidenciais dizem ser muito difícil fugir de um aumento nos próximos meses.

Na Petrobras, a percepção é que a "água está batendo no nariz". A estatal compra combustível em dólar e vende em real no Brasil. A situação de caixa, que já não era confortável, agravou-se com a desvalorização cambial verificada no ano, de aproximadamente 20%.

O temor é de que, sem o reajuste, a companhia perca o grau de investimento (status de bom pagador) dado pelas agências de classificação de risco.

Nos cálculos internos, a defasagem entre os preços internacionais e nacionais chegou a 30% na semana passada, após o dólar superar a marca de R$ 2,40.

O governo, entretanto, vive um dilema, pois o considerado inevitável aumento nas bombas tem efeito direto sobre a inflação, o que assusta o Palácio do Planalto em um momento de crescentes dificuldades na economia.

Segundo a Folha apurou, a Petrobras já chegou a propor um reajuste escalonado para diluir o impacto inflacionário, mas não tem esperança de um aumento que compense integralmente a defasagem recente.

A companhia fez todo o seu plano de negócios para os próximos anos com um câmbio a R$ 2,00, daí a extrema preocupação com a escalada do dólar diante do real.

Outro problema força a decisão de reajuste neste ano: nenhum governo quer aumentar a gasolina em um ano eleitoral. Dilma concorrerá à reeleição em 2014.

O mais recente reajuste de preços da Petrobras foi em janeiro. O aumento foi de 6,6% para a gasolina e de 5,4% para o diesel nas refinarias.

Conteúdo Folha de S. Paulo