segunda-feira, 26 de agosto de 2013

No Egito, cristãos e muçulmanos se unem para proteger igrejas

Ataques contra igrejas e outras instituições cristãs aumentaram depois da deposição do membro da Irmandade Muçulmana Mohamed Mursi

Tariq Saleh, de Beirute
Cristãos participam de missa na basílica Nossa Senhora de Fátima, no Cairo, Egito
Cristãos participam de missa na basílica Nossa Senhora de Fátima, no Cairo, Egito (Amr Abdallah Dalsh/Reuters)
O cristão copta Fadi, de 25 anos, e o muçulmano Mahmoud, de 27, ficaram amigos na tarde do dia 14 de agosto. Até então, os dois egípcios jamais haviam se encontrado. Fadi, um estudante de direito, vem de uma família de classe média, e Mahmoud trabalha na pequena padaria do pai, distante apenas cinco quadras da escola secundária que Fadi frequentou no Cairo. Mahmoud não cursou a faculdade de engenharia de computação que sonhava. Fadi deverá se formar em breve.
Para além das diferenças sociais, os dois também fazem parte de grupos religiosos distintos. Mahmoud integra a maioria muçulmana que corresponde a 90% da população, enquanto Fadi é da minoria cristã, contra a qual a perseguição aumentou depois que o Exército e a polícia egípcia iniciaram uma operação para remover dois acampamentos formados por apoiadores do presidente deposto Mohamed Mursi. A operação de dispersão, no dia 14, deixou centenas de mortos.
Contudo, as diferenças foram minimizadas diante de uma causa maior – tentar impedir a destruição de igrejas cristãs. Naquela tarde, uma multidão de apoiadores de Mursi marchava em direção a El Zawya el Hamraa, o bairro de Fadi e Mohamed. “O Egito é muçulmano; cristãos são exceção”, gritavam os islamistas, que também exigiam a volta do presidente deposto ao poder e a libertação de líderes da Irmandade Muçulmana que haviam sido presos pelas forças de segurança.
“Éramos mais de cem homens, cristãos e muçulmanos, prontos para defender a igreja de Santa Maria Ardel Sherka, localizada em nosso bairro. Tudo o que tínhamos eram pedras, pedaços de paus. Alguns carregavam facas”, contou o engenheiro agrônomo Mohamed.
“No início éramos na maioria cristãos, mas aos poucos foram chegando mais muçulmanos para nos ajudar. Disseram que a destruição de igrejas era um atentado contra todos os egípcios e que era dever dos muçulmanos defender seus irmãos coptas”, completou Fadi.
Além da capital, cristãos e muçulmanos também se uniram para apagar incêndios em igrejas ou conter ataques em outras cidades como Minya, Suez, Fayoum, Assiut e Alexandria. “No início, os dois grupos ficaram trocando gritos e intimidações. Mas logo as brigas começaram, com pedras sendo atiradas. Eu fui atingido no braço por uma pedra, mas sem gravidade. Mas vi um homem levar uma pedrada na cabeça e cair ao chão com o rosto cheio de sangue”, contou Fadi.
Segundo os dois jovens, o confronto durou cerca de 45 minutos, até a chegada de alguns policiais. “Fadi ajudou um amigo meu que havia levado uma pedrada. Prometi que voltaria nos dias seguintes para ajudar um grupo a fazer vigília para defender a igreja. Foi aí que ficamos amigos”, disse Mohamed.
Ataques – Testemunhas relataram ataques a dezenas de igrejas e também a escolas, centros comunitários, casas e lojas pertencentes a cristãos nos dias que se seguiram à ação para dispersar os manifestantes contrários ao governo interino. Algumas das igrejas atacadas têm séculos de idade, como a da Virgem Maria, em Minya, datada do século 4 e que ficou tomada por chamas. A maior parte dos ataques ocorreu no interior do país, em cidades menores ou em regiões mais pobres e rurais, redutos da Irmandade Muçulmana e de outros movimentos islâmicos, como o dos salafistas.  
Hashem, um ativista político e cristão copta em Alexandria, a segunda maior cidade do Egito, contou que um grande grupo da Irmandade Muçulmana invadiu um centro comunitário cristão que ajuda crianças de rua, sejam elas cristãs ou muçulmanas. “Testemunhas disseram que um grupo jogou molotovs na grande tenda de lona que abrigava trabalhos de agentes comunitários mantidos por uma das igrejas locais. Ninguém ficou ferido, mas o ataque causou uma revolta entre muçulmanos e cristãos”, disse.
Depois do ataque, uma multidão formada por pessoas das duas religiões se dirigiu a uma área próxima, onde um grupo depredava uma igreja. “Corremos em direção a eles, chamando-os de criminosos”. Seguiu-se uma briga, que envolveu facas, barras de ferro, pedras, pedaços de pau. “Houve alguns feridos, mas sem muita gravidade”, contou, acrescentando que os agressores acabaram indo embora. “Fomos aplaudidos pelos moradores dos prédios, de ambas as religiões. É triste ver egípcios brigando entre si, mas comemoramos a vitória como se fosse uma final de futebol”.
"Bode expiatório" – O analista político Emad Gad, do Centro Al-Ahram para Pesquisas Políticas e Estratégicas do Cairo, considera a atual gravidade dos ataques contra cristãos sem precedentes no país. “Ao longo das últimas décadas, houve pequenos ataques contra coptas, mas nos últimos meses eles se intensificaram. As forças de segurança nada fazem para proteger as pessoas e os templos religiosos”.
Em discursos recentes, dirigentes da Irmandade alegaram que a Igreja e empresários coptas financiaram a imensa manifestação popular do dia 30 de junho que levou à deposição de Mursi. “A retórica foi uma estratégia para angariar apoio de seus simpatizantes para sua causa. Os cristãos coptas serviram de bodes expiatórios pela derrubada de Mursi”, analisou Gad.
Os cristãos passaram a ser mais ativos na política do país após a derrubada do ditador Hosni Mubarak, em 2011. Durante o governo Mursi, porém, foram excluídos.  “Muçulmanos e coptas seculares não querem o domínio de uma facção sobre a outra na sociedade egípcia. Mas os islamistas, ou querem tudo sob seu controle ou destruirão o país. Durante o governo de Mursi, os coptas foram reprimidos e excluídos de quase todos os postos importantes no país”.


Alguns políticos acusaram a Irmandade Muçulmana de incitar seus seguidores a cometer atos de violência contra cidadãos coptas e outros muçulmanos e a realizar ataques contra instituições cristãs. No entanto, líderes da Irmandade negaram as acusações e condenaram os ataques, acusando os serviços de inteligência do governo interino e seus apoiadores de atacar igrejas para culpar o movimento islâmico.
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No “Entre Aspas”, senador petista confessa que programa para trazer cubanos estava em curso havia um ano e meio

No “Entre Aspas”, senador petista confessa que programa para trazer cubanos estava em curso havia um ano e meio; se é assim, Padilha mentiu ao anunciar sua suspensão. E Antonio Patriota, o que tem a dizer? Qual é seu papel na patranha petralha?

No dia 21, publiquei aqui um post, às 21h48, cujo título era este:

Transcrevo trechos:
É uma pantomima! O governo tinha um plano de importar 6 mil médicos cubanos, que passariam (como passarão!) a atuar no Brasil sem qualquer exame ou validação do diploma. Para resolver um problema do nosso país? Mais ou menos. Há, com efeito, falta de médicos. Mas é certo que o governo do PT vai mesmo é repassar R$ 40 milhões por mês à ditadura comunista. (…) Quando Padilha anunciou a decisão, a classe médica brasileira reagiu. O governo, então, fingiu um recuo — mas era só uma tática, vê-se agora. Afirmou que a prioridade seria importar médicos da Espanha e de Portugal e apresentou sua esdrúxula proposta de aumentar em dois anos a graduação, obrigando os estudantes, nesse tempo, a atuar no sistema público de saúde. Sem isso, nada de diploma. (…) Atenção! É importante notar que o governo não criou um miserável programa para incentivar a interiorização dos médicos brasileiros. Foi tudo na base do gogó. O que Padilha preparou, nesse tempo, foi mesmo a criação das condições objetivas para que voltasse a seu plano original: trazer os cubanos.
(…)
A confissão
Aqueles mequetrefes de sempre vieram aqui torrar a paciência: “Como é você sabe? Você esta chutando etc”. Pois é. Eu sempre conto com alguém com a inteligência superior do senador Humberto Costa (PT-PE), ele próprio ex-ministro da Saúde, para revelar a verdade que eu lhes havia antecipado.
Costa participou de um debate com Emanuel Fortes, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, no programa “Entre Aspas” (GloboNews), comandado pela jornalista Mônica Waldvogel. O link está aqui.
A partir dos 8min49s, o petista afirma com todas as letras:
“Esse programa já vem sendo trabalhado há um ano e meio. Boa parte desses cubanos já trabalharam em países de língua portuguesa, não têm dificuldade com a língua. E, ao longo desse um ano e meio, eles vêm tendo conhecimento sobre o sistema de saúde no Brasil, doenças que existem aqui e não existem lá…”
Pronto!
Eis aí a confissão. Então já havia um programa em curso, assegura o petista. Os cubanos, ele garante, já vinham estudando até o sistema de saúde no Brasil. Assim, quando o ministro Alexandre Padilha veio a público, no dia 6 de julho, para anunciar que o governo havia desistido de importar os escravos de Fidel e Raúl Castro, estava, deixem-me ver que verbo usar… Já sei: o ministro, segundo Humberto Costa, estava mentindo.
Havia, pois, um programa secreto em curso, e isso explica a desídia no governo federal para criar inventivos para a interiorização de médicos brasileiros. Todas as circunstâncias foram criadas, isso agora está claríssimo — e há uma confissão —, para trazer os cubanos. Quando Aloizio Mercadante e o próprio Padilha defenderam aqueles dois anos a mais no curso de graduação de medicina — depois, houve o recuo —, tratava-se de mera ação diversionista.
Agora fica claro, também, por que o governo sempre evitou o diálogo aberto com as associações médicas e decidiu implementar um programa ignorando a categoria. Seu interlocutor privilegiado era a ditadura cubana.
E Patriota?
E o Ministério das Relações Exteriores? Qual é o seu papel nessa patranha petralha? Cumpre lembrar que o Itamaraty participou dessa negociação. Também ele pôs suas digitais num acordo que se fazia na surdina e que resultará na reintrodução do trabalho escravo no Brasil, ainda que muitos possam ser servos voluntários de um ideologia. Encerro lembrando que os jornalistas investigativos têm aí uma bela pauta. Que programa era esse? Que material foi produzido para que os estrangeiros conheçam as doenças da pobreza brasileira e dos rincões? Quem preparou esse material? Por que se fez tudo à socapa? E por que, finalmente, Padilha mentiu?
Por Reinaldo Azevedo

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