segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sorocaba - Média de uma arma de fogo é apreendida por dia na cidade


202 armamentos ilegais saíram de circulação nos sete primeiros meses
Armas semiautomáticas e revólveres são mais recolhidos na área urbana; na rural são as garruchas e espingardas - Arquivo JCS/Fábio Rogério



     Carolina Santana
carolina.santana@jcruzeiro.com.br 

De janeiro a julho foram apreendidas 202 armas ilegais em Sorocaba. A média é de uma apreensão por dia. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) mostram que, com 50 armas retiradas de circulação, maio foi o mês que mais apresentou apreensões. No semestre, a média mensal é de 28 armas de fogo retiradas das ruas da cidade. O comportamento mensal oscila de acordo com as ações feitas tanto pela Polícia Militar como a Civil.

Apesar da baixa registrada em junho, com 13 armas, houve uma retomada nas apreensões em julho, que somou 26 armas apreendidas. Para o delegado assistente da Delegacia Seccional de Polícia de Sorocaba, Fábio Laino Cafisso, a alta é resultado de ações feitas pela Polícia Civil nesse período que, segundo ele, cumpriu mandados de busca e de prisão de criminosos.

Sobre o comportamento registrado em julho, que teve o dobro de apreensões, a Polícia Civil destacou a realização de operações para o cumprimento de mandados de prisão. Essas operações foram feitas também em agosto e agora em setembro. "Cada vez que acontece uma operação muitas armas são retiradas das ruas", ponderou o delegado assistente.

Revólveres e espingardas

Segundo as estatísticas, armas semiautomáticas e revólveres são os tipos mais apreendidos na zona urbana. Já na área rural há mais apreensões de garruchas e espingardas. Retirar armas de fogo de circulação é uma forma de evitar que novos crimes violentos sejam cometidos elas como, por exemplo, assalto à mão armada e homicídios. Como destaca a assessoria de comunicação da polícia, essas armas saem das mãos de criminosos. Apenas as armas ilegais são apreendidas.

Os armamentos são encaminhados ao Exército, para serem destruídos. Antes do Estatuto do Desarmamento, aquelas que estavam em boas condições de uso poderiam ser encaminhadas para as forças policiais do Estado. Isso porém, não acontece mais.

Entrega
Para a entrega da arma considerada ilegal os interessados precisam antes, porém, de uma "guia de trânsito" que deve ser retirada tanto nos distritos policiais (DPs) como na Polícia Federal. Esse documento evita que a pessoa tenha problemas no transporte da arma até o ponto de entrega. Aqueles que levam as armas para a Polícia Civil ainda são ressarcidos financeiramente pela entrega. O valor varia de acordo com o tipo de arma, explicou Cafisso. As armas que têm nota fiscal podem ser regularizadas, caso essa seja a vontade do proprietário e o registro deve ser obtido via Polícia Federal.

Revólver 38 é o mais usado em assaltos

Levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz mostrou que no Estado de São Paulo o revólver calibre 38 é o mais utilizado em assaltos. O estudo Armas do Crime mostrou que 65% das armas apreendidas são revólveres e, destas, 56,2% são da marca brasileira Taurus. A pesquisa foi divulgada no final de agosto e utiliza dados de prisões em flagrantes feitas entre abril e junho de 2011. Os números foram fornecidos pelo Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) e uma amostra de 466 armas foi utilizada no estudo.

A partir dos dados, os pesquisadores concluíram que esse tipo de arma é comprada por cidadãos comuns, empresas de segurança e por guardas civis, mas acabam nas mãos de criminosos por conta de roubos e furtos a residências e a estabelecimentos de segurança privada. O estudo demonstra ainda que podem existir formas de desvio das armas e que 40% delas possuem numeração intacta, o que possibilitaria um trabalho das polícias para rastrear os principais canais de desvio.

Armas de fogo apreendidas este ano em Sorocaba
JANEIRO............40
FEVEREIRO.......30
MARÇO................27
ABRIL...................16
MAIO.....................50
JUNHO................13
JULHO.................26
Total.....................202

Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo

Chuva desaloja 4 mil em 56 cidades de SC; rio sobe e ameaça Blumenau

Governador avaliava decretar situação de emergência no Estado; Rio do Sul, localidade mais atingida, foi inundada pelo Rio Itajaí-Açu, que ultrapassou em 10 metros o nível normal


Tomás M. Petersen - ESPECIAL PARA O ESTADO


FLORIANÓPOLIS - Santa Catarina passou o fim de semana em estado de alerta por causa das chuvas. A cidade mais prejudicada foi Rio do Sul, por causa da cheia do Rio Itajaí-Açu, que ultrapassou 10 metros o nível normal. A localidade decretou situação de emergência. No balanço divulgado ontem à noite pela Defesa Civil, ao menos 4 mil pessoas estavam desabrigadas ou desalojadas em 56 cidades do Estado.
Com previsão de mais chuvas para esta madrugada, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), avaliava ontem se decretaria situação de emergência no Estado. "Ainda não é possível saber os reflexos (de mais chuvas), porque estamos no meio do evento."
A prefeitura de Itajaí suspendeu as aulas na rede municipal hoje. A princípio, amanhã as atividades devem ser retomadas.
Ao todo, quatro municípios, além de Rio do Sul, estavam ontem em situação de emergência: Saltinho, São José dos Cedros e Santa Terezinha do Progresso, no extremo oeste, por causa dos prejuízos causados pelo granizo; e Benedito Novo, na região do Vale do Itajaí, por causa da cheia do rio. O município de Ascurra também deve decretar emergência.
Em Rio do Sul, a cidade mais prejudicada, 1,5 mil pessoas estavam, até ontem, desalojadas e 480, desabrigadas. A Rodovia SC-350, que leva ao município, foi interditada. O comerciante Dirceu Masson, de 39 anos, conta que na tarde de ontem o alagamento estava a 400 metros de sua padaria. "Desde sábado, começamos a retirar as mercadorias da loja para evitar perdas. A água está chegando aqui." Para ele, com o trauma das últimas chuvas, a população aprendeu a se preparar.
Uma das principais dificuldades na cidade é o alagamento de várias ruas no acesso entre as regiões norte e sul. A prefeitura diz que, prevendo o isolamento de algumas áreas, já havia estocado nos abrigos cerca de 4 toneladas de alimentos e produtos como gás e fraldas. "O município está dividido ao meio. Então, precisamos ter fornecedores dos dois lados, como postos de gasolina e atendimento médico", diz o secretário de Administração, Givanildo Silva. Um obstáculo logístico é o fato de o hospital ficar na região sul - hoje, a prefeitura pretende usar um helicóptero para transferir os pacientes mais graves.
De acordo com Silva, não há racionamento de água, mas alguns bairros poderão ter a energia cortada.
Blumenau. Com um histórico de tragédias climáticas com enchentes e deslizamentos, Blumenau começou a se preparar durante a semana. Foram preparados 30 abrigos, e a Defesa Civil da cidade mapeou as áreas com risco de deslizamentos e monitorou de hora em hora o nível do Rio Itajaí-Açu.
Na medição das 20h, a cheia alcançou mais de 10 metros acima do normal e causou alagamentos em algumas ruas. A previsão era de que o pico não ultrapasse 11 metros. Houve um deslizamento durante a madrugada, mas sem feridos, e 89 pessoas ficaram desabrigadas.
"Estamos muito apreensivos. Não sabemos qual o volume que o rio vai atingir. Abrimos o mercado hoje (ontem), mas vamos retirar os produtos à noite", contou a comerciante Marta Scottini, de 59 anos. Segundo ela, com 13 metros acima do normal, a água invade o seu estabelecimento. Em 2011, ela escapou do prejuízo por 70 centímetros. "A Defesa Civil está fazendo um bom trabalho de informação aos cidadãos."
A Defesa monitora três barragens no Vale do Itajaí. A de Ituporanga ficou com duas comportas fechadas e três abertas, mas no início da tarde ela transbordou. As de Taió e José Boiteux estão com todas as comportas fechadas. / COLABOROU LUCIANO BOTTINI FILHO