segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sorocaba - Roubos de veículos crescem e lideram estatísticas

Até setembro são 617 casos no ano, 55,4% a mais que o mesmo período de 2012
Setembro teve o maior número de roubos de veículos, 79, contra 65 em agosto - Arquivo JCS/Adival B. Pinto


     Rosimeire Silva
rosimeire.silva@jcruzeiro.com.br
O aumento de roubos de veículos continua a liderar os índices da criminalidade em Sorocaba. Segundo levantamento divulgado sexta-feira pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), até setembro foram 617 ocorrências, número 55,4% maior que o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 397 casos. Em dois anos, o crescimento desse tipo de delito chega a 94%. Em setembro foi registrado o maior número de ocorrência no ano, com um total de 79 roubos de veículos, 21% acima dos 65 casos registrados no mês anterior.

Outros dois crimes considerados violentos também têm apresentado uma evolução crescente, que é o tráfico de entorpecentes e o homicídio doloso (quando existe a intenção de matar). Até setembro foram totalizadas em Sorocaba 905 ocorrências de tráfico, contra 576 registradas no mesmo período de 2011, uma alta de 57%. Em relação ao ano passado, o número de casos (703) subiu 28%. 

Em setembro também foi registrado o maior número de ocorrências do ano de homicídios culposos, com dez casos. No ano, as estatísticas da SSP somam 52 casos, 30% a mais que as 40 ocorrências registradas em igual período de 2011. Em relação ao ano passado, a alta é de 13%. As ocorrências de tentativa de homicídio tiveram redução de 3,8% em relação ao ano anterior, passando de 78 para 75 casos, mas ainda estão 15,3% acima do número de casos registrados em 2011 (65).
 
Ações efetivas 
O delegado assistente da Seccional de Sorocaba, Fábio Cafisso, afirmou que em relação às ocorrências de tráfico de entorpecentes, o aumento que consta nas estatísticas da criminalidade se referem às prisões efetuadas, o que demonstra maior eficiência nas ações das policiais civil, militar e da guarda municipal, no combate a esse tipo de crime. Ele argumentou que não é possível dimensionar o tráfico e o volume de drogas em circulação, pois esse tipo de crime só aparece quanto há a apreensão dos autores. 

Em relação ao crescimento dos casos de roubos de veículos, o delegado afirmou que está associado ao aumento da frota de veículos em circulação, tanto de motos como de carros. Para combater esse avanço, ele diz que as polícias estão intensificando as ações de repressão. No caso da Polícia Civil, citou que o serviço de inteligência tem atuado no monitoramento diário dos locais com maior número de ocorrências e no estudo de semelhanças entre os crimes praticados para direcionar as investigações. Já a Polícia Militar atua no policiamento ostensivo de forma preventiva e na varredura de locais suspeitos para localização de veículos.

Quanto aos homicídios, a polícia nem sempre atua de forma preventiva, pois muitas vezes estão relacionados a crimes passionais ou desentendimentos que acabam em morte, ou ainda casos de briga de trânsito. "Um tipo de crime imprevisível." O Cruzeiro do Sul encaminhou ao comando da Polícia Militar questionamentos sobre o aumento nos índices de criminalidade de Sorocaba, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.
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domingo, 27 de outubro de 2013

Deus fora da Unicamp

Grupo de ateus impede que evento religioso com especialista dos EUA se realize na universidade e dificulta o debate acadêmico

Andres Vera
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 EMBATE
O arqueólogo Rodrigo Silva (à esq.), um dos palestrantes do evento cancelado, 
e o físico Leandro Tessler, que mobilizou acadêmicos contra o Fórum 
 
Marcado para a quinta-feira 17, o “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi cancelado na véspera, sob uma enxurrada de e-mails indignados de professores da própria instituição de ensino, uma das mais respeitadas do País. O motivo? Os cinco convidados a falar sobre filosofia e ciência eram nomes ligados ao “criacionismo científico”, que nega a teoria da evolução de Charles Darwin, mas, ainda assim, busca evidências científicas para desvendar o universo – sem contradizer a existência de Deus ou os preceitos da Bíblia. “Que façam isso numa igreja”, disse o professor de física Leandro Tessler. “É embaraçoso dar credibilidade a esse tipo de doutrina não científica.” Seu blog chamou a atenção de outros professores. A pró-reitoria, que havia dado aval ao evento, recuou. O físico americano Russell Humphreys, convidado internacional, já tinha passagem comprada. Veio então a resposta dos palestrantes.“Fomos boicotados por um grupo de professores ateus”, afirma o professor de arqueologia Rodrigo Silva, da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp). “Hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira.”
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Em nota oficial, a Unicamp justificou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. Além de Silva e Humphreys, o fórum também teria a presença de um geólogo, um jornalista e um bioquímico, Marcos Eberlin, o único pertencente aos quadros da Universidade. Após a polêmica, Eberlin escreveu em um blog: “É interessante notar que, em uma universidade pública, pessoas que se autointitulam ‘guardiões do saber’ cancelem palestras”. Outro que reclamou à reitoria, o professor de matemática Samuel Oliveira, negou a “orquestração” de um “lobby ateu” nos bastidores. “Criacionistas não têm formação para falar de ciência”, diz. 

A “batalha da fé” em uma faculdade como a Unicamp, reconhecida pela qualidade da pesquisa científica, chama a atenção. Mas esse tipo de conflito não é novidade no meio acadêmico. Em 2008, depois de uma série de reclamações, a Universidade Federal de São Carlos (SP) cancelou uma palestra do físico Adauto Lourenço sobre “criacionismo e teoria da evolução”. Em 2007, o bioquímico americano Fazale Rana esteve na mesma Unicamp para falar de “design inteligente”, linha de pensamento que atribui a um criador a existência da vida na Terra. Professores conseguiram retirar o logo da universidade dos cartazes da palestra de Rana, mas não impediram a conferência. 
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