terça-feira, 29 de outubro de 2013

SP: manifestantes bloqueiam Fernão Dias e incendeiam ônibus e caminhões

Protesto ocorre por conta da morte de um adolescente de 17 anos por um policial na tarde deste domingo, 27; um homem foi baleado e 90 pessoas foram presas após atos de vandalismo


Manifestantes invadiram a pista da Fernão Dias e atearam fogo em caminhões - Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão
Manifestantes invadiram a pista da Fernão Dias e atearam fogo em caminhões
SÃO PAULO - Violentos protestos contra a morte do adolescente Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, por um policial militar, no domingo, fecharam nesta segunda-feira a Rodovia Fernão Dias e provocaram uma onda de destruição no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo. Ônibus e caminhões foram incendiados e lojas, saqueadas. Um homem foi baleado. O tumulto na estrada federal fez com que o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, ligasse para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para estabelecer uma "ação conjunta". Noventa pessoas foram detidas.
A manifestação começou por volta das 18 horas, depois do enterro de Douglas. Os dois sentidos da rodovia foram fechados e ao menos cinco ônibus e três caminhões foram incendiados. Homens armados obrigaram passageiros e motoristas a descer dos veículos. Durante um saque a uma loja na Avenida Milton da Rocha, na Vila Medeiros, criminosos acabaram acertando um pedestre no abdômen. Ele foi internado no Hospital São Luis Gonzaga, onde passou por cirurgia.
Manifestantes assumiram um caminhão-tanque na contramão. Motoristas de veículos que estavam na estrada foram roubados, segundo a PM. Houve confronto, e a polícia usou bombas e balas de borracha para conter a multidão.
"Eu seguia pela Fernão quando de repente vi um ônibus pegando fogo no meio da pista. Um molequinho estava armado na frente dele e apontou a arma para mim, mandando eu parar", relatou o motorista José Floriano, de 50 anos. "Outras pessoas aparecerem do nada e começaram a jogar pedra nos caminhões. Eu só tive tempo de brecar e descer da carreta e corri a pé." Veículos também foram atacados na Marginal do Tietê, na altura da Ponte Imigrante Nordestino. Enquanto tentavam apagar o fogo em um ônibus, bombeiros foram apedrejados e precisaram de escolta de 15 homens da Força Tática.
De acordo com informações da Agência Brasil, o secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, solicitou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Força Nacional de Segurança atuasse no local. Grella, ainda segundo a agência, teria pedido que uma operação de inteligência seja montada pelo Ministério. As pastas confirmaram a conversa por telefone, mas, segundo Cardozo, ambos combinaram uma "ação conjunta", na tentativa de impedir novos atos de vandalismo. "Conversamos sobre a melhor articulação entre ações da Polícia Rodoviária Federal e da Secretaria da Segurança Pública", disse o ministro, sem dar mais detalhes. Nos bastidores, tucanos afirmaram que a Polícia Rodoviária Federal demorou para aparecer.
Nas ruas do Jaçanã e na Fernão Dias, manifestantes fizeram barricadas de fogo. Segundo a concessionária Autopista, às 20h50, a lentidão na rodovia ia do km 82 ao km 90. Por volta das 23h, a pista sentido capital havia sido liberada e na outra direção os motoristas seguiam pelo acostamento.
Enterro. O protesto começou após o enterro de Douglas, no fim da tarde desta segunda, no Cemitério Parque dos Pinheiros, também na zona norte. Na noite de domingo, a Vila Medeiros já havia sido cenário de protestos de vizinhos que ficaram revoltados com a ação da polícia. Na manifestação, com cerca de 300 pessoas, dois lotações, um ônibus e um carro foram incendiados e lojas foram saqueadas. A Polícia Militar interveio com bombas de gás e balas de borracha para dispersar a multidão.
Atribuições. A atribuição de resolver conflitos em estradas federais, como no caso da Fernão Dias, é da Polícia Rodoviária Federal, mas não se trata de uma atribuição exclusiva, segundo o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi. "Havendo crime, qualquer policial tem a obrigação de intervir", explica. "Um não pode ficar esperando que o outro faça."
A jurisdição policial em estradas federais, segundo ele, ainda é "nebulosa". Mas, a princípio, não há nada que impeça a Polícia Militar (estadual) de atuar também nessas estradas, quando há um crime em andamento. /ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, FABIO LEITE, MONICA REOLOM, HERTON ESCOBAR e VERA ROSA
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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Novo plano da Petrobras prevê reajuste automático dos combustíveis

Metodologia desenhada pela estatal foi submetida à aprovação do ministro Guido Mantega, presidente do conselho, e dos demais conselheiros

O ministro da Fazenda Guido Mantega durante coletiva, em São Paulo anunciando o crescimento do PIB
Ministro Guido Mantega: nova metodologia deverá passar pela chancela do governo (Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)
A Petrobras submeteu ao seu Conselho de Administração uma nova política de preços que prevê reajustes automáticos e periódicos de combustíveis, conforme sua necessidade de alinhamento com os valores praticados no mercado internacional. A metodologia está sob análise do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e demais membros do conselho da estatal — e deverá ser aprovada ou rejeitada até o dia 22 de novembro, quando está prevista a próxima reunião dos conselheiros. A Petrobras informou ao mercado sobre a nova metodologia na última sexta-feira, ao divulgar seu balanço trimestral. O lucro da empresa de junho a setembro ficou em 3,3 bilhões de reais.
Desta nova metodologia dependerão os robustos investimentos da Petrobras ao longo dos próximos anos, sinalizou nesta segunda-feira o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, ao afirmar que a política solicitada ao governo (sócio controlador da Petrobras) permitirá a implementação do plano de negócios da estatal. "O que estamos prevendo é que a nova política contemple a nossa previsibilidade e permita a implantação do plano de negócios que temos", afirmou Barbassa, referindo-se aos investimentos de 236,7 bilhões de dólares previstos de 2013 a 2017.
A atual política de preços da Petrobras, com reajustes esporádicos que não acompanham valores internacionais no curto prazo e provocam defasagem, está afetando a companhia num momento em que a empresa vem importando derivados para fazer frente ao crescimento do consumo brasileiro, principalmente por diesel. Segundo dados do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) levantados com exclusividade ao site de VEJA, a empresa perdeu 14 bilhões de reais entre janeiro e agosto ao absorver a defasagem de preços. "Temos uma política de preços amplamente conhecida que funcionou por muito tempo. Mas ultrapassamos os limites que nos auto-impusemos e, tendo em vista o programa de investimentos, achamos por bem a adequação à realidade e a redução da alavancagem", afirmou o executivo, durante teleconferência para analistas.
A Petrobras quer mais aderência dos preços dos combustíveis que vende no país aos valores praticados no mercado internacional, considerando que as importações de se tornaram cada vez maiores devido ao aumento da demanda e à incapacidade da estatal de suprir o mercado local. Se for aprovada, a metodologia permitirá reajustes automáticos conforme as periodicidade determinada pela nova fórmula e a variação de preços de petróleo no mercado internacional. Os reajustes, dessa forma, não vão demandar aprovação de diretoria para serem realizados, disse o diretor da Petrobras. Barbassa, contudo, não quis dar mais detalhes sobre como será essa nova fórmula.
Batalha de acionistas - A decisão de Mantega sobre a nova política ainda é uma incógnita, sobretudo porque o ministro tem afirmado incessantemente que a companhia não prevê reajustar preços. Contudo, a empresa tem sido pressionada por acionistas, sobretudo depois da disparada do dólar, no segundo semestre de 2013. Reportagem da Bloomberg publicada há duas semanas afirmava que os acionistas minoritários da estatal estavam prestes a assegurar que o reajuste ocorreria ainda este ano, depois de terem conseguido mais poder (e mais assentos) no conselho da administração da empresa. Segundo a reportagem, meses de lobby dos investidores, liderados pela Aberdeen Asset Management Plc, levaram o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a assegurar que o governo deixaria a companhia subir os preços da gasolina, depois que os subsídios ao combustível causaram 6,77 bilhões de reais em perdas líquidas no primeiro semestre nas refinarias.
Outro fator que agravou a pressão foi o leilão do Campo de Libra, ocorrido na última semana, que exigirá da estatal um aporte de 6 bilhões de reais ao Tesouro ainda este ano, além de investimentos pesados para garantir a exploração da área, que é a primeira do pré-sal a ser explorada sob o regime de partilha. 
A nova metodologia terá foco nos valores praticados para gasolina e óleo diesel, combustíveis que têm mais peso tanto na receita da Petrobras quanto na inflação. Já produtos como nafta e querosene de aviação não deverão ser incluídos na nova metodologia, segundo Barbassa. O diretor também evitou comentar se haverá um mecanismo amortecedor para que eventuais altas de preços da Petrobras não sejam integralmente repassados ao consumidor.
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