domingo, 22 de dezembro de 2013

Loja da HAVAN é interditada no dia da inauguração

Segundo a Prefeitura, prédio não dispõe do Auto de Vistoria do Corpo dos Bombeiros (AVCB)
Centenas de pessoas encontram as portas da loja fechadas e, sem saber o motivo, ficaram frustradas - Fábio Rogério


    José Antonio Rosa
joseantonio.rosa@jcruzeiro.com.br

Por falta do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e do Habite-se, conforme a Secretaria de Finanças do Município, a loja de departamentos da rede Havan em Sorocaba foi interditada neste sábado (21) pelo setor de fiscalização da Prefeitura. Suas portas não abriram para os consumidores e por volta das 17h a situação ainda permanecia assim. O AVCB é um documento emitido pelos Bombeiros certificando que, durante a vistoria, a edificação possuía as condições de segurança contra incêndio previstas pela legislação. O prédio deve seguir um conjunto de medidas estruturais, técnicas e organizacionais integradas para garantir a segurança do local.

Já o Habite-se é um documento emitido pela Prefeitura atestando que o imóvel construído cumpriu a legislação municipal. É uma certidão que aprova o imóvel como "pronto para ser habitado". A entrada em funcionamento da filial era aguardada com expectativa por centenas de pessoas que ficaram frustradas sem entender o que se passava. "Isso é culpa do prefeito. Por que não deixar a loja funcionar?", questionou Lucinda Gomes.

Os consumidores também não puderam entrar com os carros no estacionamento, o que acabou provocando congestionamento na avenida Itavuvu. A empresa não quis se manifestar, mas atribuiu a responsabilidade do ocorrido ao "poder público". O presidente do grupo, identificado como Luciano, disse que tentaria reverter a situação por meio de liminar, mas não deu maiores detalhes. No rápido contato com os jornalistas, lamentou a medida, lembrando do vulto do investimento e dos empregos gerados.

Equipes da Guarda Civil e da Polícia Militar foram acionadas para acompanhar a autuação. Fiscais ouvidos pela reportagem contaram que a loja deixou de providenciar documentação necessária para entrar em atividade. Outro problema constatado, de acordo com o secretário de Governo, João Leandro da Costa Filho, seria a diferença de metragem da área construída do prédio. Na planta, as dimensões apontadas estariam menores do que a construção.

A inauguração da loja foi acompanhada por três vereadores, Waldecir Morelli (PRP), Jessé Loures (PV) e Luiz Santos (Pros). Este último, cuidou de ir embora logo sob a justificativa de que não faria sentido permanecer num espaço que, de acordo com a fiscalização, estaria irregular. Santos é o autor do projeto de lei que pretende abrandar as exigências de adaptação de templos religiosos que possuam área construída de até 250 metros quadrados.

Do lado de fora, sem outra alternativa, o público teve de se contentar com a revista promocional da loja, onde estavam anotados os produtos e ofertas. "Só aqui mesmo. Como é que pode uma loja desse tamanho, que gastou tanto, ser interditada porque, segundo disseram, não providenciou vistoria? Isso deve ser brincadeira. Tem muita gente aqui que fez papel de palhaço já que esperava conhecer a novidade e deu literalmente com a cara na porta", desabafou o aposentado Luiz Deocleciano.

Por meio do Serviço de Comunicação, a Prefeitura informou que a interdição tomou base descumprimento de normas de segurança e técnicas e que a loja teve tempo para providenciar o que deveria ter providenciado. A administração negou que tivesse decidido tomar a medida neste sábado. Isso, conforme divulgado, ocorreria de qualquer forma, uma vez que a situação do prédio está irregular, o que não é permitido.

A 64ª loja da rede Havan possui 14 mil metros quadrados de área construída e demandou investimentos da ordem de R$ 40 milhões, gerando, ainda, 200 novos empregos no município.

Fundada em 1986 no município de Brusque (onde fica a matriz), Santa Catarina, a Havan possui 63 lojas nos estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Goiás. Só em São Paulo, a rede possui filiais nas cidades de Araçatuba, Bauru, Limeira, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santa Bárbara d" Oeste, São Carlos, São José do Rio Preto e Franca. Até 2015 a rede pretende atingir a quantidade de 100 filiais em diversos estados brasileiros.

35% das praias estão impróprias para banho no litoral paulista

Nas cidades de Mongaguá, Praia Grande e São Vicente, todas as praias devem ser evitadas
Mongaguá, um dos principais destinos do sorocabano, está imprópria para os banhistas - ARQUIVO JCS


     Sabrina Souza
sabrina.souza@jcruzeiro.com.br 
     programa de estágio 

Destino certo para grande parte dos sorocabanos nos feriados prolongados de fim de ano, as praias do litoral paulista podem não ser só sinônimo de lazer e diversão. Das 170 praias monitoradas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), 35% estão com a qualidade da água imprópria para o banho, o que resulta em um total de 59 locais onde é recomendado que o turista não entre na água. No litoral sul, aquele mais próximo de Sorocaba, três municípios apresentaram resultados preocupantes na avaliação da Cetesb: Mongaguá, Praia Grande e São Vicente, com todas as suas praias classificadas como impróprias. Já as cidades de Ilha Comprida, Iguape e Cubatão estão com todas as praias liberadas para banho, já que foram classificadas como próprias no levantamento, que leva em conta a quantidade de coliformes fecais no mar. A água contaminada pode causar, além de micoses e mal-estar, doenças mais graves, como a hepatite A. 

Ainda no litoral sul, cinco cidades tiveram parte de suas praias consideradas como impróprias. Em Itanhaém, dez de 11 praias apresentaram índice maior que mil coliformes fecais para cada amostra da água do mar (100 ml), parâmetro que indica qualidade imprópria da água. Das seis praias de Peruíbe, quatro não estão balneáveis. O resultado foi parecido nas cidades de Guarujá (cinco de doze impróprias) e Bertioga (cinco de nove impróprias). Diferentemente do ano passado, quando encabeçou a lista das cidades mal avaliadas, neste ano apenas em uma das sete praias de Santos é recomendado que não se entre no mar. Já no litoral norte, os quatro municípios foram melhor avaliados. O resultado mais satisfatório ficou por conta de Caraguatatuba, com todas as 15 praias consideradas próprias. Apenas uma das 33 praias de Ubatuba ficou classificada como inapta para receber turistas, e a qualidade parcial foi notada também em Ilhabela e São Sebastião (seis de 18 impróprias e cinco de 29 impróprias, respectivamente). 

Para realizar esta classificação, os técnicos da Cetesb coletaram amostras entre os dias 16 de novembro e 15 de dezembro. Além da presença de coliformes fecais, outros fatores podem incidir sobre o resultado da classificação, como por exemplo as condições climáticas, aumento da maré, presença de animais, poluição por resíduos sólidos e adensamento urbano nas proximidades das praias. Para a dermatologista Déborah Simis, a avaliação como imprópria das praias é quase como um aviso de "proibido para turistas". "A classificação já diz que a água não possui condições de receber as pessoas", analisa. Ela explica que, além de problemas de pele, outras doenças de transmissão oral podem ser contraídas nesses locais. "Ao mergulhar, a pessoa acaba ingerindo a água e com isso as bactérias infecciosas", afirma. Há, alerta, até o risco de contrair hepatite A. "Os vestígios de fezes presentes na água podem infectar as pessoas pela boca", conta. Mais comuns, prossegue, as micoses superficiais causam danos na pele, cabelo e unhas. As diarreias e febres, além do mal-estar, também são frequentes. O cuidado deve ser redobrado, ressalta Déborah, com as crianças. "A pele é mais frágil nessa faixa etária e a contaminação é facilitada por conta disso", finaliza. 

Na preparação 

Quem sempre visita o litoral durante o fim de ano é a aposentada Maria Júlia Domingues. Ela, que ainda não sabe o destino desse ano, conta que sempre avalia a qualidade e a limpeza das praias. "A preocupação com a saúde vem sempre em primeiro lugar", diz. Filha dela, a estudante Tainara Aparecida Domingues ficou surpresa com a avaliação de Ilha Comprida e por isso já decidiu onde vai passar o réveillon. "Estive em Ubatuba no começo do mês, agora vou com meus tios para a Ilha mesmo", afirma. Tainara declara evitar os locais mais sujos. "Quando sou eu que escolho o local, sempre levo a higiene da praia em conta", finaliza ela, que tem o hábito de hidratar bem a pele no fim da viagem. (Supervisão: Armando Rucci Filho)