quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Cartolas preferem ver a Copa do Mundo no Brasil de longe

Com medo de protestos nas ruas, dirigentes da Fifa e presidentes de federações não ficarão no País

Jamil Chade - Correspondente - O Estado de S. Paulo
GENEBRA - A "Família Fifa" não vai permanecer no Brasil durante a Copa do Mundo. O Estado apurou com exclusividade que dezenas de cartolas da entidade, presidentes de federações e dirigentes já decidiram que não vão ficar durante todo o mês do Mundial no País por questões de segurança. Eles temem a repetição dos protestos ocorridos durante a Copa das Confederações em 2013, e estão sendo aconselhados pela Fifa a ficar pouco tempo em território brasileiro.

Copa das Confederações foi marcada por protestos - Ed Ferreira/Estadão - 15/6/2013
Ed Ferreira/Estadão - 15/6/2013
Copa das Confederações foi marcada por protestos
Os cartolas chegarão a São Paulo dias antes do Mundial para o Congresso Anual da Fifa. Depois, deixarão o Brasil e voltarão eventualmente apenas para a final.
Durante a Copa das Confederações, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, deixou o Brasil justificando que precisava também acompanhar o Mundial Sub-20 na Turquia. Mas a saída foi vista como uma atitude do cartola de desagrado com a maneira como o governo estava lidando com a crise.
Desta vez, Blatter permanecerá no Brasil, assim como o secretário-geral Jérôme Valcke. Mas cartolas centro-americanos e da América do Norte confirmaram ao Estado que devem voltar a seus países logo depois do Congresso da Fifa e da abertura da Copa. Dirigentes de outras partes do mundo devem tomar a mesma atitude. "Os protestos são uma grande ameaça", disse um dos mais altos funcionários responsáveis pela segurança na Fifa. "Estamos muito preocupados."
Durante a Copa das Confederações, carros da Fifa tiveram suas identidades retiradas para não serem identificados pelos manifestantes. No hotel que servia de quartel-general da entidade no Rio, as bandeiras da Fifa foram também retiradas.
Para 2014, a Fifa, governo, patrocinadores e parceiros comerciais da Copa do Mundo já preparam um plano de contingência caso os protestos ganhem proporções alarmantes durante o Mundial. A meta é conseguir que nenhuma partida seja afetada, além de garantir uma proteção extra para a "Família Fifa" e patrocinadores.
O plano está sendo elaborado em Zurique e Brasília, depois que os serviços de inteligência no Brasil informaram ao governo e aos organizadores do evento que protestos para os meses de julho e julho já começam a ser planejados entre ativistas, ONGs e estudantes.
A Fifa já trabalha com o cenário de que os protestos vão ocorrer, mas quer minimizar ao máximo o impacto no evento. Outra preocupação é a presença de torcedores estrangeiros, o que praticamente não existiu na Copa das Confederações. O cenário de pesadelo seria um eventual incidente de violência com um estrangeiro, o que poderia causar um profundo mal-estar na competição.
A estratégia também envolve uma campanha midiática. A ordem na Fifa é afastar a entidade dos problemas domésticos brasileiros e insistir que os protestos não são contra o futebol nem contra o organismo. O presidente Joseph Blatter deu uma indicação de qual será o discurso da Fifa nos próximos cinco meses ao conceder uma entrevista a um jornal suíço há uma semana.
"Nós sabemos que teremos novas manifestações e protestos. Os últimos, na Copa das Confederações, nasceram nas redes sociais. Não tinham objetivo, reivindicações reais. Durante a Copa serão mais concretos, mais estruturados. Mas o futebol será protegido. Não acredito que os brasileiros atacarão o futebol diretamente. No país deles, o futebol é uma religião."
Do lado do governo, existe ainda uma outra preocupação: a segurança de dezenas de chefes de estado, políticos, líderes mundiais e personalidades que irão ao Brasil para a abertura ou encerramento da Copa.
Fonte:  ESTADÃO

Banco Mundial projeta expansão do PIB brasileiro em 2,4%

Relatório da instituição indica que crescimento do país ficará abaixo da média global em 2014 - e será o menor entre os países que compõem o Bric

O ministro da Fazenda, Guido Mantega: relatório do Banco Mundial prevê crescimento de 2,4%
O ministro da Fazenda, Guido Mantega: relatório do Banco Mundial prevê crescimento de 2,4% (Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)
Relatório do Banco Mundial divulgado nesta terça-feira eleva a previsão de crescimento econômico global pela primeira vez em três anos – e projeta para o Brasil uma das menores expansões de Produto Interno Bruto (PIB) entre os países em desenvolvimento. De acordo com o documento, o PIB global crescerá 3,2% em 2014. Já a projeção de crescimento da economia brasileira ao final deste ano é de 2,4%, menor do que México (3,4%) e Argentina (2,8%). Entre os Brics, o Brasil é o país com menor previsão de expansão do PIB. A China lidera, com 7,7%, seguida por Índia (6,2%), África do Sul e Rússia, ambas com 2,7%. Em 2013, o Banco Mundial acredita que o Brasil tenha registrado crescimento de 2,2%.
Segundo as novas projeções do Banco Mundial, o PIB dos países em desenvolvimento deve avançar 5,3% este ano, contra 4,8% em 2013. O crescimento econômico dos emergentes deve se intensificar este ano, fundamentalmente sob o impulso da China, mas permanecerá a ameaça da "volatilidade" dos fluxos de capital, adverte a instituição em seu relatório.
"A intensificação do crescimento nos países em vias de desenvolvimento está sustentada por uma aceleração nos países ricos e pela continuidade do forte crescimento na China", afirma o documento. A instituição adverte para a persistência de "ventos contrários" que já se manifestaram em 2013, tendo como pano de fundo os temores de um endurecimento da política monetária dos Estados Unidos.
Vários países emergentes, como Brasil e Turquia, se viram abalados por um refluxo de capitais provocado por investidores impacientes por repatriar seu dinheiro para os Estados Unidos, em busca de melhores rendimentos. "As perspectivas de crescimento continuam sob ameaça de ventos contrários provenientes de uma alta das taxas de juros e de uma potencial volatilidade dos fluxos de capital, agora que o Fed (Federal Reserve) começou a reduzir seu apoio monetário em massa", destaca o Banco Mundial.
Desde meados de dezembro, quando o Fed decidiu reduzir sua injeção de liquidez, sua política de saída gradual ocorreu "sem incidentes", destaca o relatório. Mas uma alta "demasiado rápida" das taxas de juros nos países ricos poderia reduzir brutalmente os fluxos de capital que estão irrigando os países emergentes e que permitem financiar seu crescimento.
Segundo o Banco Mundial, estes fluxos poderão ser reduzidos em "mais de 50%" ao longo de vários meses e um cenário deste tipo afetaria fundamentalmente os países cuja expansão econômica foi financiada por uma explosão do crédito.
O Banco Mundial convoca os líderes políticos a preparar, desde já, suas respostas a estas novas turbulências financeiras, incluindo o abrandamento das regulamentações que limitam os fluxos de capital e a implementação de políticas para atrair investimentos estrangeiros diretos. "Os indicadores econômicos mundiais mostram sinais de progresso, mas não é preciso ser adivinho para prever que existem perigos ocultos", comentou o economista-chefe do Banco Mundial, Kaushik Basu, citado no comunicado.
Na quinta-feira passada, o Fundo Monetário Internacional também advertiu para a persistência de "riscos de volatilidade" nos mercados emergentes.
Economia global - A perspectiva mais otimista sugere que a economia global está finalmente se libertando de uma longa e lenta recuperação após a crise financeira global. Na última estimativa do banco, em junho, a instituição esperava que o crescimento global atingisse 3% em 2014.
(Com agências Reuters e France-Presse)
Fonte:  REVISTA VEJA