sexta-feira, 21 de junho de 2013

Prouni: estão abertas inscrições para bolsas de estudo

Programa federal oferece mais de 90.000 bolsas em instituições privadas de ensino superior. Prazo se encerra no dia 25 de junho

Sisu é o programa federal que seleciona estudantes para instituições públicas de ensino superior com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
Sisu é o programa federal que seleciona estudantes para instituições públicas de ensino superior com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) (Thinkstock)
Para concorrer, o candidato deve ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012, obtendo desempenho mínimo de 450 nas provas objetivas e nota superior a zero na redação. Além disso, não pode possuir diploma de curso superior e se encaixar em pelo menos uma das seguintes condições: ter cursado o ensino médio em escola pública ou como bolsista em instituição privada, ser portador de deficiência ou ser professor na rede pública de ensino para cursos com grau licenciatura.Estão abertas as inscrições do 2º semestre de 2013 do Programa Universidade para Todos (Prouni), programa do Ministério da Educação (MEC) que oferece bolsas de estudos em universidades privadas. 
As inscrições são gratuitas e deverão ser feitas pela internet na página do Prouni (http://siteprouni.mec.gov.br) até as 23h59 (horário de Brasília) da próxima terça-feira, dia 25 de junho. 
No total, estão previstas 90.010 bolsas, sendo 55.658 integrais e 34.352 parciais, segundo informações do MEC. As bolsas integrais serão destinadas a candidatos com renda familiar mensal de até 1,5 salário-mínimo por pessoa. Para as bolsas parciais (50% da mensalidade), o limite são três salários mínimos. 
Os estudantes pré-selecionados na primeira chamada, que será divulgada no dia 28, deverão comprovar as informações nas universidades até o dia 5 de julho. O segundo resultado sairá em 13 de julho, e a comprovação deverá ser feita entre os dias 15 e 19 do mesmo mês.
Assim como ocorre no Sisu, o Prouni possibilita aos candidatos a indicação de duas vagas, que podem ser alteradas enquanto estiverem abertas as inscrições. Quem não entrar nas duas primeiras chamadas, poderá manifestar interesse na lista de espera entre os dias 26 e 29 de julho. A convocação será feita em dois momentos: nos dias 2 e 12 de agosto.
As informações são da Veja

Rejeição a políticos e partidos toma as ruas

Protestos que tomaram as ruas do país têm um traço em comum: a rejeição aos políticos e aos partidos políticos que se proliferam ano a ano no Brasil

Gabriel Castro, de Brasília
Rio de Janeiro - Milhares de manifestantes se reúnem para protestar nesta quinta feira (20) na capital carioca
Rio de Janeiro - Milhares de manifestantes se reúnem para protestar nesta quinta feira (20) na capital carioca - Marcelo Sayão/EFE
Quando as manifestações que hoje tomam o Brasil começaram a ganhar peso e velocidade, uma semana atrás, pareceu que era a multiplicidade de causas que as definiria. Nas passeatas desta quinta-feira, porém, ficou claro que há um traço ainda mais forte nesse movimento: a rejeição aos políticos, aos partidos, a qualquer pessoa ou entidade que se arvore o direito de falar "em nome do povo".
Se já havia posto na defensiva prefeitos de grandes cidades e governadores, o aumento do número de pessoas nas ruas, passeata após passeata, fez a crise chegar às portas do Palácio do Planalto na noite passada. Subitamente, os quase 60% de aprovação da presidente Dilma Rousseff nas últimas pesquisas de opinião não pareceram um escudo forte o suficiente para protegê-la. Dilma viu mais de 1 milhão de pessoas aderirem aos protestos ao lado de seus assessores mais próximos – e convocou uma reunião de crise para a manhã desta quinta-feira.
O partido da presidente, o PT, também se encontra de repente em terreno desconhecido. A mobilização não depende da voz de comando de partidos de esquerda, sindicatos ou associações estudantis para ir às ruas. Mais que isso, a repele. Quem portava bandeiras e camisetas de partidos foi isolado nas manifestações. Na noite de quinta-feira, depois de o presidente do PT, Rui Falcão, ter conclamado militantes a erguer novamente a bandeira do partido na marcha pelas ruas de São Paulo, houve hostilidade aberta contra quem tentou cumprir a ordem. Depois de mais de duas décadas, o PT se vê de repente privado do papel de porta-voz dos "anseios populares".
"Há uma espécie de libertação em face do aparelho petista e seus tentáculos", diz o professor Marcelo Barra, do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB).
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), ex-petista que participou da organização do movimento Fora Collor, faz uma análise semelhante: "Houve uma cooptação das lideranças políticas do movimento social para a estruturas de poder e o movimento, como toda panela de pressão, explode uma hora", diz ele.
Mas, se atinge o governo petista que está há dez anos no poder, o levante também não traz benefícios para a oposição. O mensalão, os ministros corruptos, os parlamentares flagrados cometendo crimes e a má gestão do Executivo não foram suficientes para que PSDB, DEM e PPS mobilizassem as multidões. Ciente de que o novo movimento também não é simpático à oposição, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), adota um discurso cauteloso: "Não podemos nos apropriar do movimento. Não dá para o governo ou a oposição quererem tirar casquinha. Nós temos que entender o recado que eles estão nos passando", afirma.

Descentralizado, com bandeiras difusas e genéricas, mas grande potencial de articulação, o grupo que toma as ruas é exatamente o público-alvo da Rede, o partido que a ex-senadora Marina Silva deve formalizar nos próximos meses. Assim como Marina, esses jovens defendem um novo jeito de fazer política, mas não explicam exatamente o que isso significaria.

Mas mesmo os "marinistas" não parecem confiar de que os protestos significam uma adesão ao projeto do novo partido. Ou seja: o capital político que as manifestações têm acumulado não pode ser colocado na conta de nenhum partido ou pré-candidato à Presidência.

Apartidarismo - Grande parte dos milhares de pessoas que cercaram o Congresso Nacional na segunda-feira e na quinta-feira são tão jovens que nunca votaram – a começar por Wellington Fontenelle, um dos organizadores da marcha na internet. O rapaz de 18 anos, que tenta ingressar no curso de Física da Universidade de Brasília, se queixa da falta de acesso da população às decisões governamentais. "Enquanto o Brasil não mudar e resolver seus principais problemas, as manifestações não vão acabar. A gente está cansado de ser inerte”, diz ele, que mora na Asa Sul, um dos bairros mais valorizados da capital federal.

Pouco acostumados a protestos do tipo, os manifestantes adaptam palavras de ordem dos estádios de futebol – inclusive com as ofensas e palavrões. Nos cartazes, referências quase infantis a músicas da Legião Urbana. Os jovens exibem símbolos do anarquismo, mas cantam o Hino Nacional. Dizem-se representantes de uma geração consciente, mas só agora começam a se familiarizar com temas e nomes da política nacional – quando se dispôs a negociar pessoalmente com o grupo que tomou as ruas de Brasília no último sábado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi reconhecido por poucos manifestantes.

A aversão aos partidos e a rejeição a todas as autoridades constituídas é uma reação compreensível diante dos infindáveis escândalos que atingem a política brasileira. Ao mesmo tempo, esses dois fatores parecem limitar o horizonte do movimento.
As informações são da Veja.