terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Produção industrial cai 3,5% em dezembro, a maior queda em 5 anos

No acumulado de 2013, produção subiu 1,2%, informou o IBGE; o resultado veio menor do que a estimativa dos analistas

Economia & Negócios e Daniela Amorim, da Agência Estado
SÃO PAULO - O ano começou bem para a indústria, mas se encerrou negativo. A produção  industrial registrou queda de 3,5% em dezembro em relação a novembro, na série com ajuste sazonal. O recuo representa o segundo resultado negativo consecutivo do indicador e a maior queda da série desde dezembro de 2008 (-12,2%). Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF).

O IBGE informou que o setor industrial teve expansão no ano passado devido sobretudo ao crescimento de 2,1% registrado no primeiro semestre do ano. O segundo semestre registrou alta de apenas 0,3%.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado no ano de 2013, a atividade industrial cresceu 1,2% frente a igual período do ano anterior. Em 2012, a produção havia caído 2,5% e em 2011 tinha apresentado ligeira variação positiva de 0,4%.
Abaixo das projeções. A queda de 3,5% em dezembro é maior que o piso do intervalo das expectativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de -0,80% a -2,50%, com mediana negativa em 1,50%.
Em relação a dezembro de 2012, a produção recuou 2,3%. Nesta comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de queda de 1,90% a crescimento de 1,60%, com mediana estável.
No acumulado de 2013, as estimativas variavam de alta de 1,30% a avanço de 1,63%, com mediana positiva de 1,30%. 
Queda de bens de capital. A produção da indústria de bens de capital caiu 11,6% em dezembro ante novembro. Na comparação com dezembro de 2012, o indicador mostra alta de 1,8%. Em 2013, houve alta de 13,3% na produção de bens de capital.
Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou queda de 2,5% na passagem de novembro para dezembro. Na comparação com dezembro de 2012, houve recuo de 3,2%. No acumulado de 2013, a queda foi de 0,2%.
Na categoria de bens de consumo duráveis, o mês de dezembro registrou queda de 3,0% ante novembro, e recuo de 3,5% em relação a dezembro de 2012. O resultado de 2013 foi de avanço de 0,7%.
Entre os bens de consumo semi e não duráveis, houve redução de 2,3% em dezembro ante novembro, e recuo de 3,1% na comparação com dezembro de 2012. O resultado fechado de 2013 foi de queda de 0,5%.
Para os bens intermediários, o IBGE informou que a produção recuou 3,9% em dezembro ante novembro, e diminuiu 2,0% em relação a dezembro de 2012. No fechado do ano passado, a categoria registrou estabilidade (0,0%) na produção.

Fonte:  ESTADÃO

Sem saída, Dilma pede apoio do Congresso para controlar inflação

Presidente quer evitar que projetos de lei que onerem ainda mais o estado e pressionem a inflação sejam aprovados

Marcela Mattos, de Brasília
A presidente Dilma Rousseff toma café da manhã com jornalistas credenciados no Palácio do Planalto
Recado ao Congresso: Dilma mandou discurso por escrito — foi representada por Mercadante (Fernando Bizerra JR./EFE)
Preocupada com a instabilidade da economia em ano eleitoral e as dificuldades de sua equipe em trazer a inflação para o centro da meta, a presidente Dilma Rousseff enviou mensagem ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira, pedindo aos parlamentares esforços para frear a alta dos preços e manter o equilíbrio fiscal em 2014. O temor da presidente reside da possibilidade de aprovação de projetos que pressionem ainda mais a inflação ao longo do ano. Na pauta da Câmara e do Senado, há textos que, se aprovados, podem representar prejuízos aos cofres públicos, como os que definem pisos salariais para agentes de saúde, policiais e bombeiros. O governo federal tem evitado que essas matérias sejam votadas.
A mensagem da presidente também ocorre num momento em que o Brasil é alvo de extrema desconfiança por parte do mercado externo — situação que tem se refletido no câmbio, na bolsa de valores e nos investimentos estrangeiros diretos (IED). Dilma decidiu até mesmo ir ao Fórum Econômico Mundial de Davos pela primeira vez, em janeiro, justamente para tentar recuperar parte da credibilidade perdida. Mas, ao Congresso, Dilma não compareceu. Enviou o novo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), para representá-la.
“Manteremos, em 2014, uma gestão das contas públicas compatível com a continuidade da política de profundo compromisso com a responsabilidade fiscal, para o que contribuirá, entre outras medidas, o pacto que firmamos com as principais lideranças políticas do Congresso Nacional”, disse Dilma no documento encaminhado para a abertura do ano legislativo e lido pelo 4º secretário da Mesa Diretora do Congresso, senador João Vicente Claudino (PTB-PI). “É importante destacar que a necessidade de financiamento da previdência social caiu de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 para 1% em 2013; as despesas com pessoal, de 4,7% para 4,2% do PIB, no mesmo período. Esse esforço não seria concretizado sem a parceria do Congresso Nacional.”
Ainda que o governo tenha encerrado 2013 com inflação de 5,91% (o centro da meta é de 4,5%), Dilma comemorou que a inflação tenha permanecido dentro da meta (o teto é de 6,5%), o que ela classificou como uma demonstração da “consistência da política monetária”.
Durante a manhã, durante a posse de quatro novos ministros, Dilma também direcionou o discurso para a questão econômica. Na ocasião, a presidente disse ter cumprido a promessa de campanha de 2010 mantendo os fundamentos macroeconômicos, com crescimento da economia e avanço da inclusão social. No mesmo tom, disse aos parlamentares que o Brasil mantém “estabilidade, crescimento, emprego, renda e redução das desigualdades”, apesar da crise mundial. Dilma, no entanto, evitou fazer previsões de crescimento ou estipular redução da inflação.
Após um discurso com um longo balanço de sua gestão em 2013 (com duração de mais de uma hora), que incluiu números de crescimento de emprego, da redução do desmatamento e até mesmo de entrega de máquinas retroescavadeiras e motoniveladoras, Dilma agradeceu ao Congresso pela aprovação de projetos como a nova divisão dos royalties do petróleo e a nova regulação do sistema portuário.


A presidente evitou fazer apelos para aprovações de projetos neste ano, mas colocou como prioritária a adoção de medidas de segurança para a internet e demandas populares das manifestações de 2013.
Fonte: REVISTA VEJA